MEMÓRIAS DE UMA COPA DO MUNDO EM CIMA DOS CARROS – Edmir Silveira

Brasil Tricampeão Mundial em 1970. O Leblon comemorou nas ruas essa conquista, a cada partida. Cada turma de cada bar se reunia após os jogos e a batucada rolava e a confraternização era animada. Na final, a festa ultrapassou o bairro e se juntou às outras pela cidade toda. Uma só festa.

 Comemorei em cima do carro do Seu Waldenor, pai de três amigas, em cuja casa uma turma grande de amigos assistiu a todos os jogos da Copa, porque estava dando sorte e tinha lourinhas lindas. 

Era na esquina da Rua Almirante Pereira Guimarães com Av. Ataulfo de Paiva. E, deu sorte mesmo, fomos campeões. Ele tinha um fusca que, muito generosa e despojadamente, colocou no meio do trânsito caótico e comemorativo e nos levou pela praia, depois da vitória na final, até a Av. Atlântica lotada e carnavalesca. Inesquecível. 

No fusca tinham umas dez crianças adolescentes dentro e mais umas 15 penduradas no teto, capô e onde desce para se segurar. A velocidade do trânsito era menor do que um velho andando, por isso, não oferecia perigo.  Hoje penso que o carro dele deve ter ficado completamente amassado, amarrotado com tanta gente em cima da lataria. Seu Waldenor era um cara do bem, um pai bem legal com os amigos das filhas, Tetê, Lena e Gugu. Todas lindas. 

Não sei por que, mas nessas comemorações a moda era ficar em cima dos carros trafegando, mesmo antes da final, as vitórias a cada partida eram comemoradas assim. Alguns carros andavam em velocidade normal, com jovens em cima da lataria externa. Ainda bem que essa moda passou, era muito perigoso. Alguns passavam em velocidade maior, gritando e causando alvoroço. 

Moda é uma coisa irracional, sempre foi, e cada época tem suas loucuras peculiares. Mas, não me lembro de nenhuma notícia disso ter causado acidentes mais graves, o que é surpreendente.

Foi a primeira Copa do Mundo da qual me lembro perfeitamente. Eu morava no Condomínio dos Jornalistas. No Tetracampeonato de 94, morava na Rua Carlos Góes e, no Penta de 2002, na Av. Bartolomeu Mitre.  Cada uma eu comemorei com as respectivas turmas de cada rua. Todas no meu Leblon. 
Nas Copas que eu assisti fora do bairro, não houve o que comemorar.
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E assim foram e voltaram até o arpoador. Na volta, a distância ficara bem maior, poderia despertar suspeitas manter uma distância próxima. Ele sabe onde o alvo vai parar.